XI – A EXISTÊNCIA DA FILOSOFIA PERENE

XI – A EXISTÊNCIA DA FILOSOFIA PERENE

 

ARNALDO SISSON FILHO

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[Parte da apresentação do Site Filosofia Perene (ou Esotérica)]

(https://www.filosofiaperene.com)

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A noção da existência da Filosofia Perene pode ser apresentada, muito resumidamente, a partir da conhecida frase de Pierre Teilhard de Chardin: “tudo o que se eleva converge.” Ou seja, se é possível para a consciência humana se “elevar”, penetrar rumo à essência das coisas e alcançar, ou pelo menos se aproximar dessa essência (realidade, verdade etc.), então é uma decorrência lógica, ou seja, é necessário que a consciência humana que assim procede e se “eleva”, também se aproxima, ou converge em relação a todas as demais que assim procedem, porque todas elas encontram, ou pelo menos se aproximam dessa mesma essência (realidade, verdade etc.).

 

Desse movimento vivo de “elevação” (aproximação ou convergência rumo à mesma essência) deve advir um conhecimento de princípios ou leis universais que são lógica e necessariamente os mesmos, ou pelo menos muito parecidos. E são exatamente esses os princípios ou leis que (ao serem transmitidos) devem compor um mapa ideacional necessariamente igual (ou muito semelhante), ou seja, uma Filosofia Perene.

 

Esse panorama geral, esse mapa ideacional, pode e deve se expressar através de diferentes símbolos ao longo dos diferentes momentos e pontos do tempo e do espaço, ou seja, nas diferentes épocas, regiões, povos, línguas e culturas em geral.

 

Desse modo, se o movimento vivo de “elevação” da consciência (que originou um determinado panorama de símbolos etc., de uma dada cultura) foi verdadeira e legitimamente bem sucedido, então quando esses símbolos forem corretamente interpretados eles necessariamente revelarão significados iguais ou muito semelhantes, ou seja, significados que se aproximam ou convergem entre si, constituindo uma verdadeira Filosofia Perene.

 

Para a corrente de pensamento que é dominante em nossa época, ou seja, para a ciência moderna (ou cientificismo, em seu viés de dogmatismo materialista) essa noção da existência de uma Filosofia Perene pode e deve ser tratada como uma hipótese, a qual, caso verdadeira, pode e deve merecer algum tipo de comprovação experimental.

 

Isso pode ser realizado por meio do método comparativo, em relação aos significados dos símbolos das diferentes religiões e filosofias nas diferentes épocas e culturas. Ou seja, se a hipótese da existência de uma Filosofia Perene for verdadeira, dessa investigação comparativa devem emergir princípios e pontos de vista muito semelhantes.

 

Em palestra recente na sede da Sociedade Teosófica em Londres (Fev-2018), por ocasião do que talvez tenha sido a primeira Conferência sobre a Mensagem da Dra. Anna Kingsford (https://annakingsford.com/portugues/galeria_imagens/CAK.htm), o editor dessa obra, apresentou palestra com o ponto de vista de que esse estudo comparativo deve influenciar o advento de religiões realmente católicas (universais) e, ao mesmo tempo, em harmonia com o que há de melhor na ciência moderna.

 

E também que essa seria a forma adequada de combater e superar o dogmatismo materialista do “sacerdotalismo” pseudo científico que hoje domina as elites intelectuais do mundo. De igual modo, foi apresentada a conclusão que tendo em vista as imensas implicações práticas para o bem estar da humanidade (como o advento de soluções consistentes para seus enormes problemas) essa seria a maior necessidade de nosso tempo.

 

“Aquilo que vocês precisam na Terra é a interpretação de suas Bíblias, e de todas as Escrituras que contém a sabedoria oculta, o mistério de que São Paulo tão frequentemente mencionava como existindo desde os primórdios do mundo. (Por ex: Romanos 16:25. Uma Mensagem à Terra. Editado por Edward Maitland. p. 69; grifo nosso)

 

Segundo nossas melhores luzes, é em sintonia com o que pensamos ser a tradição dos genuínos místicos, sábios ou filósofos de todos os lugares, tempos e culturas, que a Dra. Anna Kingsford e Edward Maitland nos legaram afirmações como as da citação abaixo, e é por meio de mensagens como essa que procuramos veicular a Filosofia Perene e sua grande Lei da Fraternidade Universal:

 

“A FÉ cristã é a herdeira direta da velha fé romana. Roma foi a herdeira da Grécia, e a Grécia do Egito, de onde se originaram o legado de Moisés e o ritual hebraico.

O Egito foi apenas o foco de uma luz cuja verdadeira fonte e centro era o Oriente em geral – Ex Oriente Lux. Pois o Oriente, em todos os sentidos, geograficamente, astronomicamente e espiritualmente, é sempre a fonte de luz.

Mas, embora originalmente derivada do Oriente, a Igreja de nossos dias e de nosso país é modelada diretamente a partir da mitologia greco-romana, e de lá retira todos os seus ritos, doutrinas, cerimônias, sacramentos e festivais.

Portanto, a exposição que será feita sobre o Cristianismo Esotérico tratará mais especificamente dos mistérios do Ocidente, uma vez que suas ideias e sua terminologia são para nós mais atrativas e próximas do que as concepções não artísticas, a metafísica não familiar, o espiritualismo melancólico e a linguagem pouco sugestiva do Oriente.

Extraindo sua essência vital diretamente da fé pagã do velho mundo Ocidental, o Cristianismo mais proximamente se parece com seus pai e mãe imediatos, do que com seus ancestrais remotos, e será, então, melhor exposto com referência a suas fontes da Grécia e de Roma, do que com referência a seus paralelos bramânicos e védicos.

A Igreja cristã é católica, ou então ela não é nada que mereça, em absoluto, o nome de Igreja. Pois católico significa universal, todo-abarcante: – a fé que sempre e em todos os lugares foi recebida. A prevalecente visão limitada desse termo é errada e prejudicial.

A Igreja cristã foi inicialmente chamada de católica porque ela abarcava, compreendia e tornou seu o passado religioso de todo o mundo. Reunindo em sua figura central – do Cristo – e em torno dessa figura todas as características, lendas e símbolos até então pertencentes às figuras centrais das dispensações anteriores, proclamando a unidade de toda aspiração humana, e formulando em um grande sistema ecumênico as doutrinas do Oriente e do Ocidente.

Assim, a Igreja católica é védica, budista, zend-avesta e semítica. Ela é egípcia, hermética, pitagórica e platônica. Ela é escandinava, mexicana e druídica. Ela é grega e romana. Ela é científica, filosófica e espiritual.

Encontramos em seus ensinamentos o panteísmo do Oriente, e o individualismo do Ocidente. Ela fala a língua e pensa os pensamentos de todos os filhos dos homens; e em seu templo todos os deuses estão em um lugar sagrado.

Eu sou vedantina, budista, helenista, hermética e cristã, porque eu sou católica. Pois nessa única palavra todo o Passado, Presente e Futuro estão abarcados.

Como Santo Agostinho e outros dos Padres (Pais) da Igreja verdadeiramente declararam, o Cristianismo não contém nada de novo a não ser o seu nome, estando próximo dos antigos desde o seu início. E as várias seitas, que retém apenas uma porção da doutrina católica, são apenas como cópias incompletas de um livro, do qual capítulos inteiros foram retirados, ou como representações de uma peça teatral na qual apenas alguns de seus personagens e de suas cenas foram mantidos.” [Anna Kingsford e Edward Maitland. The Credo of Christendom: and Other Addresses and Essays on Esoteric Christianity (O Credo do Cristianismo: e Outras Palestras e Ensaios sobre o Cristianismo Esotérico), pp. 94-95].

 

É importante deixar claro, repetindo, que a Filosofia Perene e sua grande Lei da Fraternidade Universal também podem ser transmitidas ao mundo através de outras tradições religiosas e filosóficas, e mesmo através da ciência moderna e das artes. Esse espírito realmente fraterno – que é ao mesmo tempo católico (universal) e científico – sendo algo necessário para uma difusão de princípios Metafísicos e Éticos de uma forma coerente e harmônica com a própria existência da Filosofia Perene (ou Esotérica) e sua grande Lei da Fraternidade Universal da Humanidade.

 

É importante repetir, concluindo esse texto, que esse exemplo de adaptação à cultura do Ocidente pode e deve, de forma análoga, ser aplicado às demais culturas e regiões do mundo, facilitando assim a comunicação dos princípios e leis da Filosofia Perene no âmbito dessas diferentes culturas e regiões.