VIII – O PASSADO E O FUTURO DO HOMEM

VIII – O PASSADO E O FUTURO DO HOMEM

 

 

Uma vez que tenhamos entendido o fato que o homem alcançou sua situação atual através de uma longa e variada série de vidas, naturalmente surge uma questão em nossa mente: – a quantidade de informação que podemos obter sobre essa evolução anterior, que naturalmente seria de nosso grande interesse.

 

Felizmente tal informação está disponível, não apenas pela tradição mas também de uma outra maneira, muito mais exata. Não tenho espaço, aqui, para estender-me sobre as maravilhas da psicometria e da clarividência. No entanto, devo simplesmente afirmar que existem muitas evidências de que tudo o que acontece fica registrado de maneira indelével; existe um tipo de memória na natureza onde se pode recuperar, com absoluta exatidão, qualquer cena ou evento ocorrido desde o início dos tempos.

 

Estudantes da Filosofia Perene podem ler obras que tratam do método de ler os registros do passado. Em essência, essa memória da natureza deve ser a memória divina, muitíssimo além do alcance humano; mas ela é refletida nos planos inferiores, para que seja recuperável pela inteligência treinada do homem.

 

Tudo que passa diante de um espelho, por exemplo, é refletido sobre sua superfície. Para nosso olhar superficial, parece que as imagens não causam qualquer impressão sobre o espelho, e sim que cada uma passa sem deixar qualquer traço. Contudo, isso pode não ser bem assim; e não é difícil imaginarmos que alguma tipo de impressão pode ser deixada e que de algum modo ela possa ser recuperada.

 

A psicometria superior mostra que não apenas deve ser assim, mas que é assim; e que não apenas um espelho, mas qualquer objeto físico, retém a impressão de tudo que aconteceu no seu campo de visão, por assim dizer. Assim, temos à nossa disposição um método preciso de chegar à história antiga do mundo e da humanidade; desse modo, muita coisa que é do mais arrebatador interesse pode ser observada em cada detalhe, como se as cenas estivessem sendo especialmente apresentadas para nosso benefício. (Veja Clarividência, de C.W. Leadbeater)

 

Investigações sobre o passado conduzidas por esses métodos mostram um processo longo de evolução gradual, lento porém incessante. Apresentam o desenvolvimento do homem sob a ação de duas grandes leis: – primeiro, a lei de evolução, que firmemente pressiona-o para adiante e para cima; e, segundo, a lei da divina justiça, ou de causa e efeito, que traz, de modo inevitável, os resultados de cada ação sua, dessa maneira ensinando-lhe gradativamente a viver inteligentemente, em harmonia com a primeira lei. [N.E.: Essa lei também é conhecida como Lei do Carma, palavra derivada da língua sânscrita, “karma”, que significa genericamente “ação”.]

 

Esse longo processo de evolução tem sido levado adiante não apenas nessa Terra mas em outros globos a ela ligados; porém, o tema é vasto demais para ser tratado em minúcias nesse pequeno livro. Esse assunto é o tema principal da monumental obra de H.P. Blavatsky, A Doutrina Secreta; mas, antes de começar a abordá-lo, recomenda-se aos estudantes lerem os capítulos sobre isso no livro de Annie Besant, A Sabedoria Antiga.

 

Esse livro recém mencionado oferece a mais completa informação disponível não apenas quanto ao passado do homem, mas também quanto ao seu futuro; e embora a glória que o aguarda seja tal que chega a ser inimaginável, alguma coisa pelo menos pode ser compreendida dos estágios iniciais que levam a tal. [NE: Outra obra, O Homem: Donde e Como Veio, e Para Onde Vai?, de autoria da Dra. Annie Besant e C.W. Leadbeater, foi escrita posteriormente, com ainda maiores informações do que na obra recém mencionada.]

 

Que o homem, mesmo agora, seja divino, e que vida após vida fará desabrochar dentro de si as potencialidades divinas, é uma ideia que parece chocar algumas boas pessoas, e ser considerada com sabor de blasfêmia. Entretanto, isso não deveria ser assim, pois o próprio Jesus lembra aos judeus à sua volta o que dizem suas escrituras (Salmos 82:6): “Vós sois Deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.” [João, 10:34].

 

A doutrina da deificação do homem era comumente sustentada pelos Pais (Padres) fundadores da Igreja. Mas, nesses últimos tempos, muito da mais antiga e mais pura doutrina tem sido esquecido e mal entendido; e a verdade agora parece ser sustentada em toda a sua pujança somente pelo estudante da Filosofia Perene (ou Esotérica).

 

Às vezes perguntam por que, se o homem era desde o princípio uma centelha do Divino, deveria ser-lhe necessário atravessar todos esses éons (longuíssimos períodos) de evolução, envolvendo tanta dor e sofrimento, apenas a fim de ser também divino ao final de tudo isso. Mas aqueles que fazem essa objeção ainda não compreenderam o esquema. Aquilo que surgiu do Divino ainda não era homem – e nem mesmo uma centelha ainda, pois naquilo não havia uma individualização desenvolvida. Era simplesmente uma grande nuvem de essência divina, embora capaz de se condensar finalmente em muitas centelhas.

 

A diferença entre a sua condição quando emanando e quando retornando à fonte é exatamente como entre uma grande massa de matéria nebulosa brilhante e o sistema solar, o qual é finalmente formado a partir dessa substância. A nebulosa é bela, sem sombra de dúvida, mas indefinida e pouco organizada; os sóis que surgiram a partir dela através de lenta evolução irradiam luz, calor e vida sobre muitos mundos e seus habitantes.

 

Podemos também citar outra analogia. O corpo humano é composto de incontáveis milhões de partículas diminutas, e algumas delas estão constantemente sendo expelidas. Suponhamos que fosse possível para cada uma dessas partículas passar por algum processo de evolução através do qual ela se tornaria, dentro de algum tempo, um ser humano; não devemos dizer que porque, em um certo sentido, ela foi humana desde o início daquele processo evolutivo, que ela não ganhou nada quando chegou ao final. A essência surge como uma simples efusão de força, mesmo que seja força divina; ela retorna sob a forma de milhões de poderosos Adeptos, cada um capaz de, por si só, se desenvolver em um Logos.

 

Desse modo, pode-se ver que estamos grandemente justificados na afirmação de que o futuro do homem é um futuro cuja glória e esplendor não têm limites. E um ponto muito importante a ser lembrado é que esse futuro magnífico é para todos, sem exceção.

 

Aquele a quem chamamos de homem bom – isto é, o homem cuja vontade se move em consonância com a Vontade Divina, cujas ações são tais que venham a ajudar a marcha da evolução – progride rapidamente no caminho espiritual; enquanto o homem que de forma imatura e não inteligente se opõe à grande corrente, empenhando-se na busca de objetivos egoístas em vez de trabalhar pelo bem do todo, poderá progredir apenas muito lentamente e sem um propósito definido.

 

Mas a Vontade Divina é infinitamente mais poderosa que qualquer vontade humana, e a operação do grande esquema é perfeita. O homem que não aprende sua lição da primeira vez tem simplesmente que a repetir muitíssimas vezes até aprendê-la; a paciência Divina é infinita, e mais cedo ou mais tarde todo ser humano atinge a meta que lhe é designada. Não há temor nem incerteza, mas tão somente perfeita paz para aqueles que conhecem a Lei e a Vontade.