II – PRINCÍPIOS GERAIS
É meu desejo tornar esta explicação sobre a Filosofia Perene tão clara e prontamente compreensível quanto possível; e por essa razão, a cada momento, darei apenas princípios gerais, remetendo aqueles que desejam informações mais detalhadas a livros mais específicos, que podem ser consultados por aqueles que desejam aprofundar-se nesses conhecimentos tão fascinantes.
Começarei então com uma apresentação, que para muitos será surpreendente, dos amplos princípios gerais que emergem como resultado do conhecimento da Filosofia Perene. Alguns poderão encontrar aqui assuntos que considerarão incríveis, ou então completamente contrários a suas ideias preconcebidas. Se assim for, gostaria de lembrá-los que eu não estou apresentando isso como teoria – como especulação metafísica ou uma piedosa opinião própria – mas como fato definido, provado e examinado muitas e muitas vezes, não apenas por mim mesmo, mas também por muitos outros.
Além disso, afirmo que é um fato que pode ser verificado em primeira mão pela pessoa que esteja desejosa de devotar tempo e trabalho necessários para capacitar-se a essa investigação. Não estou oferecendo ao leitor um credo, para ser simplesmente aceito; estou tentando colocar diante dele um sistema filosófico para estudo, e acima de tudo uma vida para ser vivida. Não lhe peço fé cega; apenas lhe sugiro a consideração da Filosofia Perene como uma hipótese, embora para mim não seja hipótese e sim um fato vivo.
Se ele achar esse conjunto de conhecimentos mais satisfatório do que outros que lhe foram apresentados, se lhe parecer resolver muitos dos problemas da vida e responder um grande número de interrogações que inevitavelmente surgem para o homem de reflexão, então levará esses estudos adiante e encontrará neles, eu espero e acredito, cada vez mais, a mesma satisfação e alegria que eu próprio encontrei.
Se, por outro lado, achar preferível algum outro sistema, nenhum mal foi causado; ele simplesmente aprendeu algo dos princípios da chamada Filosofia Perene, ou Esotérica – entre outras denominações – com os quais ainda não pode concordar. Eu mesmo tenho muita confiança nesses princípios ao ponto de acreditar que, mais cedo ou mais tarde, chegará o tempo em que ele concordará com eles – quando ele também chegar a conhecer o que nós conhecemos.
As Três Grandes Verdades
Num dos nossos livros está escrito que existem três verdades absolutas, que não podem ser perdidas, e que todavia podem permanecer no silêncio por falta de quem as pronuncie. São tão grandes quanto a própria vida e, apesar disso, tão simples quanto a mente de um homem mediano. Posso apenas trazer aqui essas verdades, como os maiores dos meus princípios gerais.
Oferecerei, depois, alguns comentários que natural e logicamente derivam dessas verdades, e então, em terceiro lugar, alguns dos mais importantes entre os vantajosos resultados que necessariamente acompanham esse conhecimento definido. Tendo assim organizado o esquema, eu o tomarei ponto por ponto, buscando oferecer explanações tão elementares quanto for possível, dentro do escopo deste livro introdutório.
- Deus existe, e Ele é bom. Ele é o grande doador da vida que reside dentro e fora de nós, é imortal e eternamente beneficente. Não pode ser ouvido, nem visto, nem tocado, e ainda assim pode ser percebido pelo homem que seriamente desejar essa percepção.
- O homem é imortal e o seu futuro é tal que sua glória e esplendor não têm limites.
- Uma lei divina de justiça absoluta governa o mundo, de modo que cada homem é na verdade seu próprio juiz, o dispensador de glória ou tristeza para si próprio, o decretador de sua vida, sua recompensa e sua punição.
Comentários
Ligadas a cada uma dessas três grandes verdades estão algumas outras, subsidiárias e explanatórias.
Da primeira delas segue: –
Que, apesar das aparências, todas as coisas estão definitiva e inteligentemente se movendo juntas para todo o sempre; que todas as circunstâncias, contrárias como possam parecer, estão na realidade exatamente onde se fazem necessárias; que tudo à nossa volta tende, não a nos obstaculizar, mas a nos ajudar, se for bem compreendido.
Uma vez que todo o esquema tende, desse modo, a beneficiar o homem, é claramente algo benéfico que ele procure entendê-lo.
Que, quando ele o tiver entendido, passa a ser seu dever cooperar inteligentemente com esse esquema.
Da segunda grande verdade segue: –
Que o verdadeiro homem é a alma, e que seu corpo físico é apenas uma de suas partes constituintes.
Que ele deve, portanto, considerar cada coisa do ponto de vista da alma, e que toda vez que uma luta interna ocorrer, ele deve reconhecer sua identidade com o mais elevado e não com o mais inferior.
Que aquilo a que comumente chamamos de nossa sua vida é apenas um dia de nossa vida verdadeira e mais ampla.
Que a morte é um assunto de muito menor importância do que geralmente se supõe, já que não é de modo algum o fim da vida, mas meramente a passagem de um estágio para outro.
Que o homem tem uma enorme evolução atrás de si, cujo estudo é extremamente fascinante, interessante e instrutivo.
Que ele tem também uma esplêndida evolução diante de si, cujo estudo será ainda mais interessante e instrutivo.
Que há uma certeza da realização final para toda alma humana, não importando o quão distante ela possa parecer ter-se desviado do caminho da evolução.
Da terceira grande verdade segue: –
Que cada pensamento, palavra ou ação produz seu resultado definido – não uma recompensa ou punição imposta de fora, mas um resultado inerente à própria ação, definitivamente conectado com essa na relação de causa e efeito, sendo esses na realidade nada mais que duas partes inseparáveis de um todo.
Que é tanto dever quanto interesse do homem estudar essa lei divina – também referida como Justiça Divina, Lei do Carma etc. – com o máximo de atenção, para que possa ser capaz de adaptar-se a ela e usá-la como usamos outras grandes leis da natureza.
Que é necessário para o homem obter um grande controle sobre si mesmo, para que possa guiar sua vida inteligentemente de acordo com essa lei.
Vantagens Obtidas Com Esse Conhecimento
Quando esse conhecimento é bem entendido e assimilado, muda o aspecto da vida tão completamente que seria impossível computar todas as vantagens que dele fluem. Posso apenas mencionar umas poucas linhas principais ao longo das quais essa mudança é produzida, e o pensamento do próprio leitor irá, sem dúvida, suprir algumas das intermináveis ramificações que são consequência necessária desses conhecimentos.
Mas deve-se compreender que nenhum conhecimento vago será suficiente. Tais crenças, como acontece com a maioria dos homens que estão de acordo com as afirmações de suas religiões, serão de pequena utilidade, já que produzem pouco efeito prático em suas vidas.
No entanto, se compreendermos essas verdades como compreendemos as leis da natureza – como sabemos que o fogo queima e que a água afoga – então o efeito que produzem em nossas vidas será enorme. Pois a nossa compreensão das leis da natureza é suficientemente real para nos induzir a ordenar as nossas vidas de acordo com ela. Entendendo que o fogo queima, tomamos toda precaução para evitar o fogo; entendendo que a água afoga, evitamos entrar em águas profundas demais para nós, a não ser que saibamos nadar.
Ora, essas leis são tão definidas e reais para nós porque estão fundamentadas no conhecimento e ilustradas pela experiência diária; e os conhecimentos do estudante da Filosofia Perene são igualmente reais e definidos para ele exatamente pelas mesmas razões. E é por isso que descobrimos a partir deles os resultados a serem agora descritos: –
- Nós conseguimos uma compreensão racional da vida – sabemos como devemos viver e os porquês, e aprendemos que a vida vale a pena ser vivida quando apropriadamente entendida.
- Aprendemos a governar a nós mesmos, e portanto como desenvolver a nós mesmos.
- Aprendemos como melhor ajudar aqueles a quem amamos, como nos tornar úteis a todos com quem entramos em contato, e por fim à toda a raça humana.
- Aprendemos a visualizar tudo a partir do ponto de vista filosófico mais amplo – e jamais do lado mesquinho e puramente pessoal.
Consequentemente: –
- Os problemas da vida já não parecem mais tão grandes.
- Não temos qualquer senso de injustiça em relação ao nosso derredor ou com o nosso destino.
- Estamos em grande medida libertos do temor da morte.
- A nossa dor em relação à morte daqueles a quem amamos é muito mitigada.
- Ganhamos uma visão diferente da vida após a morte e compreendemos o seu lugar na nossa evolução.
- Estamos livres das preocupações ou temores religiosos, seja em relação a nós mesmos ou a nossos amigos, a nossos seres queridos – temores quanto à salvação da alma, por exemplo.
- Não estamos mais preocupados por incertezas quanto ao nosso destino futuro; vivemos em perfeita serenidade e sem temor.
Agora vamos tomar esses pontos em detalhe, tentando explaná-los resumidamente.