VEGETARIANISMO E A BÍBLIA (13) — Citações Sobre Interpretação dos Símbolos

 

  1. Citações Sobre Interpretação dos Símbolos

 

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1)

“Uma vez erguido o véu do simbolismo da face divina da Verdade, todas as Igrejas são similares, e a doutrina básica de todas é idêntica (…). Grega, Hermética, Budista, Vedantina, Cristã – todas essas Lojas dos Mistérios são essencialmente unas e são idênticas em doutrina. (…)

Nós sustentamos que nenhum credo eclesiástico isolado é compreensível somente por si mesmo, se não for interpretado com o auxílio de seus antecessores e de seus contemporâneos.

Por exemplo, estudantes de teologia cristã somente aprenderão a entender e a apreciar o verdadeiro valor e significado dos símbolos que lhes são familiares por meio do estudo da filosofia Oriental e do idealismo pagão.

Pois o Cristianismo é o herdeiro dessa filosofia e desse idealismo, e o que há de melhor em seu sangue vem das veias dessa filosofia e desse idealismo.

E visto que todos os seus grandes antecessores ocultaram por trás de suas fórmulas e ritos externos – os quais são meras cascas e coberturas para entreter os pobres de entendimento – as verdades internas ou ocultas reservadas ao iniciado, assim também o Cristianismo reserva aos buscadores sérios e aos pensadores mais profundos os Mistérios internos verdadeiros, que são unos e eternos em todos os credos e igrejas desde o princípio do mundo.

Esse significado verdadeiro, interior e transcendental é a Presença Real velada nos Elementos do Divino Sacramento: – a substância mística e a verdade simbolizadas sob o pão e o vinho das antigas orgias de Baco, e agora da nossa própria Igreja Católica.

Para aquele não sábio, que não pensa profundamente, que é supersticioso, os elementos físicos são a finalidade do rito; para o iniciado, o vidente, o filho de Hermes, eles são apenas os sinais externos e visíveis daquilo que é sempre, e necessariamente, interno, espiritual e oculto.” [Citado por Samuel H. Hart, em seu Prefácio à Quinta Edição (pp. 12-13), da obra The Perfect Way (O Caminho Perfeito). Citação extraída de Life of Anna Kingsford (Vida de Anna Kingsford), Vol. II, pp. 123-124]

 

2)

“É o ser espiritual do homem – o Cristo Jesus dentro dele – que é o tema do Credo cristão. “O Credo dos Apóstolos é um resumo da história espiritual de todos aqueles que se tornam, pela regeneração, ‘Filhos de Deus’.” [Edward Maitland, The Life of Anna Kingsford (A Vida de Anna Kingsford), Vol. I, p. 315]

 

3)

“A Regeneração nos mistérios hebreus é simbolizada pela fuga do Egito – o corpo, e, portanto, terra de aprisionamento para a alma – através do Mar Vermelho para o Deserto do Pecado, o cenário da provação no qual os quarenta dias místicos estão expressos em um período semelhante de anos.

A Redenção é representada pela travessia do Jordão, que separa esse deserto da provação da terra prometida da perfeição e repouso espiritual. Esse Jordão, ou rio do julgamento, não poderia ser atravessado por Moisés, pois ele tinha falhado na provação de sua iniciação.

A libertação final de Israel estava reservada a Joshua, um nome idêntico a Jesus, que se manteve fiel em todos os momentos. O Jordão corresponde ao rio Aqueronte dos mistérios do Olimpo, o qual todas as almas, ao descer ao mundo inferior, eram obrigadas a atravessar. E o Limbo, o Paraíso, o Avernus, os Campos Elísios, o Tártaro, o Purgatório e o repouso, todos denotam, sob diversos nomes, não localidades, porém esferas ou condições de existência, igualmente reconhecidos nos sistemas hebreu, pagão e cristão, e existindo no próprio homem.

E a passagem de Cristo pelo submundo representa ocultamente a obra da Redenção dentro do reino humano, precisamente de acordo com a doutrina hermética da transmutação, isto é, a Redenção do Espírito da matéria, alegoricamente denominada a conversão dos metais básicos em ouro.” [Anna Kingsford e Edward Maitland, The Credo of Christendom (O Credo do Cristianismo), p. 102]

 

4)

“Adão”, “Eva”, “Cristo”, “Maria” e o Restante – Simbolizam os Vários Elementos Espirituais que Constituem o Indivíduo e Seus Estados. Os estados através dos quais ele passa, e a meta que ele finalmente alcança no curso de sua evolução espiritual.

O tópico de sua segunda palestra (…) foi a segunda cláusula do Credo: “E em Cristo Jesus, Seu único Filho, nosso Senhor; que é concebido pelo Espírito Santo, nascido da Virgem Maria”.

Com relação a essa cláusula, ela disse que ao insistir na significação esotérica como sendo a única verdadeira e de valor, estamos simplesmente revertendo ao costume antigo e original.

É a aceitação do Credo em seu sentido exotérico [ou externo] e histórico que é realmente moderna. Pois todos os Mistérios Sagrados eram originalmente vistos como espirituais, e apenas quando eles passaram das mãos de iniciados devidamente instruídos para aquelas do ignorante e do vulgar é que eles se tornaram materializados e degradados ao nível em que atualmente se encontram.

A verdade esotérica desse artigo do Credo pode ser entendida somente por meio de um conhecimento anterior, primeiro, da constituição do homem e, em seguida, do significado dos termos empregados na formulação da doutrina religiosa.

Essa doutrina denota um conhecimento perfeito da natureza humana, e os termos pelos quais ela é expressa – “Adão”, “Eva”, “Cristo”, “Maria” e o restante – simbolizam os vários elementos espirituais que constituem o indivíduo, os estados pelos quais ele passa, e a meta que ele finalmente alcança no percurso de sua evolução espiritual.

Pois, como São Paulo diz: “essas coisas são uma alegoria” (Gálatas 4:24); e para compreendê-las é necessário conhecer os fatos aos quais elas se referem. Conhecendo esses fatos, não temos nenhuma dificuldade de reconhecer a origem de tal representação e de aplicá-la a nós mesmos.

Assim, “Adão” é o homem meramente externo e mundano, ainda que desenvolvendo no devido tempo a consciência de “Eva” ou a Alma – pois a alma é sempre a “Mulher” – tornando-se um ser dual constituído de matéria e espírito.

Como “Eva”, a Alma cai sob o domínio desse “Adão”, e tornando-se impura através da sujeição à matéria, dá nascimento a Caim, que, representando a natureza inferior, é descrito como cultivando os frutos do chão.

Mas, como “Maria”, a Alma readquire sua pureza e é descrita como sendo virgem, no que diz respeito à matéria e, se polarizando para Deus, torna-se mãe de Cristo ou o Homem Regenerado, o qual tão somente é o Filho Único de Deus e Salvador do homem no qual ele é gerado. Razão pela qual Cristo é tanto o processo como o resultado do processo. Assim sendo, ele não é “o Senhor”, mas “nosso Senhor”. O Senhor é Adonai, a Palavra, subsistindo eternamente no céu; e Cristo é sua contraparte no homem.” [Edward Maitland, The Life of Anna Kingsford (A Vida de Anna Kingsford), vol. II, pp. 197-198]

 

5)

“Assim a alma é ao mesmo tempo Filha, Esposa e Mãe de Deus. Ela é quem esmaga a cabeça da Serpente. E da alma triunfante surge o Homem Regenerado, o qual, como o produto de uma alma pura e do espírito divino, é referido como sendo nascido da água (Maria) e do Espírito Santo.

As afirmações de Jesus para Nicodemos são explícitas e conclusivas quanto à natureza puramente espiritual tanto da entidade designada como “Filho do Homem”, quanto do processo da sua geração. Esteja encarnado ou não, o “Filho do Homem” está necessariamente sempre “no Céu” – seu próprio “reino interior”. Do mesmo modo os termos que descrevem sua paternidade são destituídos de qualquer referência física. “Virgem Maria” e “Espírito Santo” são sinônimos, respectivamente, de “Água” e do “Espírito”; e esses, novamente, denotam os dois constituintes de todo ser regenerado, que são sua alma purificada e o espírito divino. De modo que o dito de Jesus – “Vós deveis nascer novamente da Água e do Espírito”, foi uma declaração, primeiro, de que é necessário para cada um nascer da maneira na qual se diz que ele mesmo nasceu; e, segundo, que a narrativa do Evangelho acerca do seu nascimento se trata, realmente, de uma apresentação, dramática e simbólica, da natureza da regeneração.” [Anna Kingsford e Edward Maitland, The Perfect Way; or, the Finding of Christ (O Caminho Perfeito; ou, a Descoberta de Cristo), p. 143]